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Teste de Adson

O teste de Adson é um teste provocativo utilizado na avaliação da Síndrome do Desfiladeiro Torácico (SDT), condição em que estruturas neurovasculares são comprimidas na região da saída torácica. O teste busca identificar compressão da artéria subclávia por uma costela cervical ou por tensão nos músculos escalenos anterior e médio.

Propósito do teste de Adson

O principal objetivo do teste de Adson é reproduzir sintomas ou alterações vasculares que sugiram compressão da artéria subclávia. Durante a manobra, o fisioterapeuta avalia a qualidade do pulso radial e observa se há diminuição ou desaparecimento do pulso, o que indicaria um teste positivo. A manobra também pode reproduzir sintomas neurológicos, como parestesia ou dor, que são relevantes para o diagnóstico clínico.

Como realizar o teste de Adson

A execução correta do teste de Adson é fundamental para a confiabilidade dos resultados. O procedimento pode ser realizado com o paciente sentado ou em pé, com o cotovelo em extensão total.

Posição inicial

O paciente deve estar confortável, com o braço ao lado do corpo. O examinador palpa o pulso radial do lado a ser testado para estabelecer uma referência da amplitude normal do pulso.

Procedimento passo a passo

  • O braço do paciente é abduzido 30 graus no ombro e estendido ao máximo.
  • O examinador mantém a palpação do pulso radial e segura o punho do paciente.
  • O paciente então estende o pescoço e vira a cabeça em direção ao ombro sintomático.
  • Solicita-se que o paciente respire fundo e segure a respiração.
  • A qualidade do pulso radial é avaliada e comparada com o pulso obtido com o braço em repouso.

Alguns profissionais utilizam uma variação do teste, solicitando que o paciente vire a cabeça para o lado oposto ao testado (teste de Adson modificado).

Interpretação do resultado

O teste é considerado positivo se houver uma diminuição acentuada ou desaparecimento do pulso radial. É importante comparar o pulso com o lado contralateral para reconhecer o pulso normal do paciente. Um teste positivo deve ser correlacionado com o lado não sintomático.

Evidências científicas sobre o teste de Adson

As evidências sobre a confiabilidade do teste de Adson são limitadas. Estudos mostram uma especificidade que varia de 18% a 87% e sensibilidade de até 94%. A confiabilidade interexaminadores é pouco documentada.

Gillard (2001) relatou que o teste de Adson teve um valor preditivo positivo de 85%, com sensibilidade de 79% e especificidade de 76%, quando a perda de pulso ou a reprodução dos sintomas foi considerada positiva.

Um problema comum aos testes para SDT é a alta taxa de falsos positivos em indivíduos assintomáticos. Rayan (1998) encontrou uma taxa de falso-positivo de 13,5% para pulso diminuído ou ausente, mas apenas 2% para sintomas neurológicos. Plewa (1998) observou taxas de falso-positivo de 11% para perda de pulso e 11% para parestesia, com apenas 2% para produção de dor. Outros estudos relataram taxas de falso-positivo de até 53% (Rayan 1998) e 92% (Malanga 2006).

Embora o teste de Adson pareça mais útil que os testes costoclavicular e de hiperabdução, a interpretação baseada apenas na diminuição do pulso radial deve ser cautelosa. A reprodução dos sintomas durante o procedimento também precisa ser correlacionada com outros achados clínicos.

Estudos sugerem que a combinação de vários testes melhora a acurácia diagnóstica. Rayan (1998) e Nannapaneni et al. (2003) relataram sensibilidade de 94% ao combinar os testes de Adson, Eden, Wright e Roos com o teste de Tinel ou compressão direta dos nervos. Plewa (1998) observou que dois ou três testes positivos reduziram a taxa de falsos positivos e melhoraram a especificidade.

É importante considerar que a maioria dos estudos sobre especificidade utilizou indivíduos assintomáticos, o que pode inflar os valores. Além disso, a ausência de um padrão-ouro para o diagnóstico de SDT faz com que muitos estudos utilizem os próprios testes ortopédicos como parte do padrão de referência, inflando a sensibilidade.

Aplicação clínica do teste de Adson

Na prática fisioterapêutica, o teste de Adson é uma ferramenta de triagem que auxilia na suspeita de SDT vascular. Ele deve ser integrado a uma avaliação completa, incluindo anamnese detalhada, outros testes ortopédicos e, quando necessário, exames complementares. A interpretação isolada do teste pode levar a conclusões equivocadas, por isso a correlação com os sintomas do paciente e outros achados é essencial.

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Conclusão

O teste de Adson é um recurso clínico útil na avaliação da Síndrome do Desfiladeiro Torácico, especialmente quando combinado com outros testes provocativos. Sua sensibilidade e especificidade variam conforme a população estudada e a definição de teste positivo. A interpretação cuidadosa e a correlação com o quadro clínico são fundamentais para evitar falsos positivos e orientar a conduta terapêutica adequada.

Perguntas frequentes

Qual é o propósito do teste de Adson?

O teste de Adson é um teste provocativo para a Síndrome do Desfiladeiro Torácico, utilizado para detectar compressão da artéria subclávia por uma costela cervical ou pelos músculos escalenos anterior e médio.

Como é realizado o teste de Adson?

O paciente fica sentado ou em pé, com o braço abduzido a 30 graus e estendido. O examinador palpa o pulso radial, o paciente estende o pescoço e vira a cabeça para o lado sintomático, respira fundo e segura. O teste é positivo se houver diminuição ou desaparecimento do pulso radial.

Qual a sensibilidade e especificidade do teste de Adson?

A sensibilidade pode chegar a 94% e a especificidade varia de 18% a 87%, de acordo com a literatura. A confiabilidade interexaminadores é limitada.

O teste de Adson pode dar falso-positivo?

Sim, taxas de falso-positivo para diminuição do pulso radial variam de 11% a 92% em indivíduos assintomáticos, dependendo do estudo. A reprodução de sintomas neurológicos tem menor taxa de falso-positivo.

O teste de Adson deve ser usado isoladamente para diagnóstico?

Não, recomenda-se interpretar o teste de Adson em combinação com outros testes provocativos e achados clínicos, pois a combinação de testes melhora a sensibilidade e especificidade.